Pirâmides financeiras: Não caia nessa!

Hoje irei escrever sobre pirâmides financeiras.

Segundo o Federal Trade Commission (FTC), órgão americano similar ao PROCON, a “Pirâmide de Ponzi” consiste no esquema piramidal caracterizado pela remuneração percebida pelos seus participantes baseada principalmente na quantidade de pessoas recrutadas à rede e na venda de produtos a essas pessoas; na existência de alto volume de estoque, com quantidade de produtos superior à possibilidade de venda; e baixo índice de venda no varejo (Parecer SEAE nº 25/COGAP/SEAE/MF)

Retirado de http://www.mpf.mp.br/atuacao-tematica/ccr2/publicacoes/cartilhas/guia-pratico-piramides-financeiras

Ou seja, o lucro da empresa provém do recrutamento de novos entrantes e não dos produtos em si. Muitas empresas vendem a pirâmide como sendo um modelo de negócios Marketing Multinível, que é uma forma legal de negócio. Mas, mesmo no marketing multinível, a venda do produto é o core do negócio. Já na pirâmide o grosso do dinheiro vem dos novos entrantes.

Portanto, desconfie de qualquer promessa de ganho astronômico em períodos curtos. Se o produto fosse muito bom ele estaria sendo vendido a um preço acessível em comparação aos outros concorrentes.

Tive um amigo que entrou numa furada dessas há alguns anos atrás. Ele entrou na Monavie e ainda arrastou pai, primos, amigos e mais um monte de gente. Até brigou com o irmão dizendo que ele não tinha “espírito empreendedor” por não querer entrar. A Monavie vendia sucos e bebidas energéticas a preços exorbitantes. Lembro que o tal do suco de açaí com mais 19 frutas custava, algo em torno de 20 reais, enquanto um suco padrão custava 7 reais à época, por exemplo. Bom, passado alguns anos, a Monavie falhou e ele se tocou, mas nunca mais quis tocar no assunto.

Tem vários outros exemplos de esquemas pirâmide aqui no Brasil: Telexfree (que vendia um Skype bem piorado), Adsply (pirâmide com criptomoedas que deixou um prejuízo de R$ 450 milhões), Kriptacoin (nos moldes da Adsply, com estimativa de prejuízo de 250 milhões).

Infelizmente, como o Brasil é o país da sacanagem, as pirâmides são crimes de menor potencial ofensivo, o que na prática significa que ninguém fica preso por isso, como mostrou o jornal Valor Econômico em 24/11/17 na reportagem Fraude com moeda virtual causa perda de R$ 450 milhões.

Portanto, pessoal, fiquem atentos e não caiam nessa. Desconfie sempre. Mesmo pessoas bem instruídas acabam caindo em alguma esquema desses.

Recentemente, assisti no Netflix o documentário Betting on Zero, que trata da aposta bilionária de um mega investidor contra o Herbalife. Ele realizou um short (apostar na queda das ações) da Herbalife, ele encerrou a operação esse ano com um prejuízo, mas a Herbalife foi obrigada a pagar uma multa de U$ 200 milhões para a US Federal Trade Comission e foi obrigada a reestruturar suas operações nos Estados Unidos para não ser acusada de um esquema de pirâmide. Vale a pena ver esse documentário.

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